Regras para gravar e para o webcast de intérpretes de conferência

 | Melhores práticas de interpretação

Os direitos de autor relativos à gravação e ao webcast do material interpretado é uma questão importante na organização de eventos apesar de passar frequentemente em segundo plano. Nesta terceira etapa da série de blogs, examinamos os requisitos e as restrições se quiser fazer o webcast ou o webstream das prestações dos intérpretes.

Ora bem, já reservou o local com capacidade suficiente e as cabines de interpretação normalizadas – fantástico! Identificou um fornecedor de equipamento fiável para os microfones e os auscultadores – boa! Agora tem de decidir quais as sessões que vai querer gravar, se algumas, e se incluirão também a gravação da interpretação. A que fim se destinam as gravações: uso interno, webcasting ou webstreaming? Que tipo de material áudio e vídeo vai precisar e onde o pode encontrar?

Estas são questões importantes às quais deverá responder no início do processo de planeamento. O equipamento tem de ser reservado, instalado e testado antes do evento. Assegure-se de que todas as medidas técnicas são tomadas para evitar dificuldades de última hora.

Os intérpretes de conferência estão protegidos pelo direito internacional. Obtenha o seu aval antes de proceder ao webcast das sessões da conferência.A gravação dos intérpretes exige a obtenção do seu prévio consentimento

Para além dos aspetos técnicos, existem aspetos jurídicos a ter em conta.

A prestação dos intérpretes de conferência está protegida por direito internacional. A Convenção de Berna, aprovada em 1886, protege os direitos de autor de obras literárias e artísticas. A tradução – sob forma impressa, sonora, gravação audiovisual e afins – encontra-se protegida tal como os trabalhos originais e os tradutores estão abrangidos pela proteção enquanto autores. A prestação do intérprete de conferência é considerada pela Convenção de Berna como uma tradução e a exclusividade dos direitos previstos na Convenção aplica-se ao autor.

Em suma, nenhum intérprete pode ser gravado sem o seu conhecimento e consentimento. Esta medida é necessária para proteger o intérprete contra qualquer diligência por parte de terceiros. A autorização deverá também ser obtida junto do organizador do evento (se não for o principal utilizador da gravação) assim como dos oradores da conferência.

A AIIC (Associação Internacional de Intérpretes de Conferência) faculta informações práticas sobre as medidas que regem o uso da gravação da interpretação nas conferências. De modo geral, os contratos que regem a prestação de serviços de interpretação contêm uma cláusula relativa aos direitos de autor assim como informações detalhadas sobre a sua remuneração.

Portanto, trate dos aspetos técnicos e jurídicos relativos à gravação das sessões da conferência assim que puder, de forma a evitar problemas de última hora. Se precisar de ajuda para encontrar equipamento de gravação ou se tiver preocupações sobre restrições no uso da gravação durante o evento, contacte-nos.

Este artigo constitui a fase três da nossa série intitulada 7 etapas para chegar à melhor solução de interpretação para o seu evento.

 

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