O catalão, uma língua de conferência?

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Tendo-se tornado uma língua de ensino, o catalão expandiu-se a todas as áreas e nomeadamente aos congressos internacionais organizados na Catalunha. Enquanto língua co-oficial de Espanha, também é usado nas instituições europeias. Será então preciso prevê-lo sistematicamente nas reuniões em Barcelona?

Apontamentos sobre o catalão

Proibido durante a ditadura franquista, o catalão foi reabilitado enquanto língua oficial da Catalunha, a par do castelhano, a língua oficial da Espanha, graças ao Estatuto sobre a Autonomia da Catalunha, aprovado em 1979. Estas medidas foram aprofundadas posteriormente com as leis de 1993 e 1998 sobre a normalização linguística. Desde então, tendo sido despenalizado, promovido e ensinado, o catalão espalhou-se progressivamente a todas as esferas da vida política, social, cultural e económica da região. Quem visitar Barcelona, capital vibrante e popular, dar-se-á rapidamente conta da sua omnipresença. 

O catalão, língua de conferência no mercado privado

O que se pode dizer do catalão nos encontros internacionais? Também se conseguiu impor aí? Existem muitos pedidos de interpretação simultânea de ou para o catalão?

O catalão tornou-se de facto uma língua importante nas conferências em toda a região. Começou por ser introduzido como língua passiva (falada pelos participantes e traduzida para as outras línguas) e ganhou terreno progressivamente enquanto língua ativa (com interpretação simultânea para o catalão a partir das outras línguas da reunião). Certos encontros internacionais decorrem até só em catalão-inglês e a Câmara Municipal de Barcelona, que trabalhava antigamente tanto em catalão como em castelhano, exige agora a interpretação para o catalão nas reuniões protocolares. Os Jogos Olímpicos de Barcelona deram destaque ao catalão logo em 1992 quando todas as conferências de imprensa dos medalhistas eram traduzidas para um mínimo de quatro línguas, incluindo o catalão. Contudo, foi o Fórum Universal das Culturas de Barcelona 2004 que marcou a viragem na expansão generalizada deste idioma. A chefe-intérprete, Danielle Grée, membro da Calliope para Espanha, confirma que durante o Fórum, que contou com 50 congressos em cinco meses, foi oferecido o catalão passivo ou ativo nos 4.700 dias/intérpretes a que deu lugar.

A situação de Andorra é diferente porque o catalão é a única língua oficial do Principado. Desta forma, todas as conferências incluem no mínimo uma tradução do catalão para as outras línguas. Rosaura Bartumeu, diretora da LEXIC e membro da Calliope para Andorra, confirma que 99% dos congressos internacionais que organiza contemplam o catalão no seu regime linguístico.

O catalão nas instituições europeias

Em 2005, a Commissão europeia aceitou o uso passivo das línguas co-oficiais espanholas (euskera, galego e catalão/valenciano), desde que o pedido fosse feito com antecedência e o custo assumido por Espanha. Em 2006, o Parlamento europeu deu seguimento a esta decisão. No entanto, ao contrário do que acontece no mercado privado, nunca está prevista a interpretação para o catalão porque não é uma língua oficial da UE. Em 2015, apenas 8% das reuniões asseguradas pela Direção-Geral da Interpretação da Comissão Europeia — o maior consumidor de interpretação no mundo com cerca de 100.000 dias/intérpretes por ano — contemplavam línguas não oficiais da UE. Com efeito, quatro reuniões de Conselhos de ministros da UE e seis plenárias do Comité das Regiões ofereciam o catalão como língua passiva em 2015, pelo que se trata de um mercado relativamente reduzido.

Como encarrar o catalão na sua próxima conferência?

Devido à normalização linguística e ao orgulho justificado dos conferencistas se poderem expressar na sua língua, é muito provável que a interpretação a partir do catalão seja muito apreciada em qualquer conferência internacional organizada na Catalunha, nomeadamente se os representantes oficiais pronunciarem discursos de boas-vindas. Se, para além disso, o encontro decorrer num sector tradicional (como o têxtil ou a papelaria) ou num campo em que a investigação se desenvolve habitualmente em catalão (medicina, química, etc.), os conferencistas locais terão preferência em expressar-se na sua língua de trabalho. Se, para além da língua passiva, proporcionar a tradução também para o catalão, os participantes locais ficarão sensibilizados.

Contudo, se optar pelo catalão no próximo evento organizado em Barcelona, não se esqueça que o número de intérpretes profissionais com catalão é limitado sobretudo fora da Catalunha, pelo que é imperioso recruta-los com antecedência. Se pensar organizar o seu evento em Espanha ou em Andorra, contacte Danielle Grée, membro da Calliope para a Espanha, ou Rosaura Bartumeu, membro da Calliope para Andorra. Consulte-nos para obter os intérpretes mais apropriados e optimizar o seu orçamento!

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